Mostrando postagens com marcador Medo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Medo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Medo

Reconter, Zoloft, Fluoxetina, Paroxetina, Sertralina, Alenthus, Rivotril. Terapeuta, Psiquiatra, Psicólogo. Passei por todos. Tomei alguns que nem me lembro mais o nome. Sinto saudades da minha infância, com certeza não foi a melhor infância do mundo, mas foi minha. Me lembro sempre do sinal de saída da escola, meu avô me esperando no portão, então caminhávamos algumas quadras até a casa dele, lá já estava minha avó nos esperando com a mesa posta, e meu prato servido com minha comida predileta, que só ela sabia fazer. Sinto saudades, naquele tempo só perdia para minha irmã, que era mais nova e mais inteligente que eu. Nessa época eu tirava de letra, pois em jogo, havia apenas um pouco de atenção.

Hoje os medos são bem mais reais. Aprendi que as pessoas podem ser bem diferentes do que pensamos que elas são, entendi que quando desejamos ser maus, podemos sim ser. E quando descobrem nosso ponto fraco, é tarde demais. Descobriram meu ponto fraco, fui atacado onde mais dói. A linha inimiga não estava tão longe quanto eu imaginava. Não sei se você me entende, não sei se você sente, não sei se você vai sentir algo comparado ao que eu senti, ao que eu ainda sinto, ao que ainda me sufoca, ao que ainda me dói. Espero que não. Espero que não sinta, pois o fim da vida parece tão próximo. Todos os músculos se retraem, o coração acelera, os olhos pesam.

É horrível essa sensação estranha de que qualquer coisa, pode colocar tudo em risco, tudo em jogo. Que posso, podemos, ficar sem nada. E essas perdas, bem, essas perdas, nos alteram, nos mudam. A psicóloga sempre me diz: teus medos são velados. E eu sempre digo a ela: são, são sim. Falar de algo é fazer com que aquilo tenha mais força. Ela me olha e diz que não. Que essa "força" talvez só exista dentro de mim, e que eu devo ter calma, pois vai passar. Enquanto não passa, eu sigo com essa estranheza interna, que silenciosa, chega e me tira a paz.

José L.