
sexta-feira, 23 de março de 2012
Chorar

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Medo
Reconter, Zoloft, Fluoxetina, Paroxetina, Sertralina, Alenthus, Rivotril. Terapeuta, Psiquiatra, Psicólogo. Passei por todos. Tomei alguns que nem me lembro mais o nome. Sinto saudades da minha infância, com certeza não foi a melhor infância do mundo, mas foi minha. Me lembro sempre do sinal de saída da escola, meu avô me esperando no portão, então caminhávamos algumas quadras até a casa dele, lá já estava minha avó nos esperando com a mesa posta, e meu prato servido com minha comida predileta, que só ela sabia fazer. Sinto saudades, naquele tempo só perdia para minha irmã, que era mais nova e mais inteligente que eu. Nessa época eu tirava de letra, pois em jogo, havia apenas um pouco de atenção.
Hoje os medos são bem mais reais. Aprendi que as pessoas podem ser bem diferentes do que pensamos que elas são, entendi que quando desejamos ser maus, podemos sim ser. E quando descobrem nosso ponto fraco, é tarde demais. Descobriram meu ponto fraco, fui atacado onde mais dói. A linha inimiga não estava tão longe quanto eu imaginava. Não sei se você me entende, não sei se você sente, não sei se você vai sentir algo comparado ao que eu senti, ao que eu ainda sinto, ao que ainda me sufoca, ao que ainda me dói. Espero que não. Espero que não sinta, pois o fim da vida parece tão próximo. Todos os músculos se retraem, o coração acelera, os olhos pesam.
É horrível essa sensação estranha de que qualquer coisa, pode colocar tudo em risco, tudo em jogo. Que posso, podemos, ficar sem nada. E essas perdas, bem, essas perdas, nos alteram, nos mudam. A psicóloga sempre me diz: teus medos são velados. E eu sempre digo a ela: são, são sim. Falar de algo é fazer com que aquilo tenha mais força. Ela me olha e diz que não. Que essa "força" talvez só exista dentro de mim, e que eu devo ter calma, pois vai passar. Enquanto não passa, eu sigo com essa estranheza interna, que silenciosa, chega e me tira a paz.
José L.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Ao vento
Quem era ela? O que fizeram à ela? Ele nunca soube o motivo de tanta tristeza, embora ela quisesse ser feliz, não conseguia, felicidade era demais, simplesmente demais. Era aos poucos, dividida em milhões de pedaços, fragmentada, irregular, insólita. Um frágil quebra-cabeças do qual não se tinha nem metade das peças. E não sei se doeu, se dói ou se ainda vai doer. O que fizeram comigo? O que fizeram à ela? O que fizeram a nós? Nada. Foi apenas o incontrolável.*Texto escrito em novembro de 2009.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Cuidado

O cara acenou, soltou um sorriso amarelo: cuidado, criança! Lobo também veste pele de cordeiro. Ele disse para você ir embora e sem nenhuma justificativa – banalidade da vida, maldito subjetivismo, terrível setembro – também foi. Então você até pode limpar a casa, pintar as paredes, então, quando os espaços estiverem em branco, quando as prateleiras estiverem vazias, a cama arrumada, a janela aberta: cuidado, criança! Não é porque ele disse que iria embora, que ele realmente tenha ido. Ele até pode tirar o passaporte, conseguir uns vistos. Mas ele não embarca, não embarca não, não sem você.
Então, como bandeirinha no vento, criança, você se balança assistindo aos dias passar, lembrando dele, pensando nele, falando nele, falando dele. Mas nem todo mundo é bom, nem todo mundo tem parque de diversões no coração. Tem amigo que nos vê com o dedo no gatilho e diz: aperta! Infelizmente tem gente que é assim, gosta de compartilhar o seu próprio vazio, o seu próprio egoísmo. Tem sempre aquela coisa, eu não tenho: ninguém precisa ter.
O cordeiro aparece de repente como quem não quer nada. Primeiro ele pasta ali e aqui, espera até que você o perceba. Crianças prestem atenção: raposa é animal selvagem todo mundo teme, ninguém passa a mão, ninguém acaricia, mas essa é a natureza dela. Já cordeiro, é figurado, é sempre macio, é sempre acariciado por todo mundo, cordeiro branquinho, jeitinho de nuvem, entendam: é lobo, apenas lobo em pele de cordeiro.
Você se aproxima, faz um carinho, já era, tarde demais, criança. Depois de algum tempo, ele tira a pele, pronto: é lobo. Sujo, pelo raso, aspecto de quem não come porque a caçada não está fácil, porque quando a pele cai ninguém gosta do que fica. Lobo é traiçoeiro. E o cara faz isso também, se mostra bonito, macio, te leva para lugares novos, tudo parece tão bom, não? Então quando você percebe tarde demais, criança. Você fica tão fascinada com os novos brinquedos, com as palavras, que nem percebe como ele fede e como suas garras estão enterradas em suas costas.
Se parar para pensar, ninguém vai intervir, e quando o lobo estiver na altura do seu pescoço, já era. Então ai que ele, seja a raposa, o príncipe, como você quiser chamar, aparece. Pois tais alegrias violentas possuem fins, também violentos, como escreveu Shakespeare. E ele então, lutará, pois no fundo sabe que sempre existirá aquela criança, ainda pura, e com o tempo as marcas e o cheiro deixado pelo lobo, também iram passar, vai passar. Talvez ele leve um tempo também para curar as cicatrizes, pois as garras de um lobo são bem maiores que as de uma raposa, e se por acaso ele não se curar, saiba criança, morrer de amor, também é no incondicional, viver dele.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Aquietou-se
E de uma euforia efusiva, silêncio. As nuvens aos poucos se fecham, o vento aos pouco uiva, o sol aos poucos se vai. Aquietar-se, aquietou-se, quieto. O meu balanço já não se move mais, tuas pernas se quebraram. A água fria, o jornal de ontem, o final do filme.segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Para fazer esquecer
Sou implicante. A partir do momento que eu pego implicância com alguma coisa, não tem nada que me faça parar. Eu tento me controlar, desviar o pensamente, sabe como é? Mas lá vem ela, fica batendo minha porta e me dizendo - abre os olhos, abre os olhos! - maldita implicância. Me lembro da primeira vez que eu ouvi Adele. Era inverno de 2008, o último episódio da 2° temporada da série Skins. A cena, em questão, trazia Cassie, uma das protagonistas, sendo abandonada por um desconhecido, ela saia correndo após acordar com o apartamento vazio ao som de Hometown Glory. Desde então, sempre que tocava no meu Ipod essa música, linda, eu tinha uma vontade enorme de sair correndo por aí, uma sensação de libertação, não somente pela música, pela letra, mas por tudo que ela me trazia, pelas lembranças do seriado e por tudo o que a cena em questão representou para mim. Uma cena linda, linda, linda. Eu sou assim, tenho essa coisa com músicas, filmes, livros. Tenho ciúmes, sabe? Porém, como o mundo decidiu descobrir Adele, todas as pessoas ficaram sabendo quem ela era, e quando digo "todas as pessoas" falo de todos os tipinhos mesmo. Bom, infelizmente a mídia faz isso, mas pior do que isso é ter uma música, com uma letra tão bonita, usada, citada, por uma situação tão falsa, tão armada, como aconteceu com uma das músicas dela, ao meu redor. Infelizmente, hoje ao escutar toda e qualquer música da Adele, ou só de ouvir falar, meu corpo todo sente náuseas. É uma vontade horrível de alguma forma colocar para fora uma pequena porcentagem do que eu passo a sentir. É uma pena. E este sou eu, e minha maneira de ignorar tudo que eu causei.
José L.
Encontro
Havia escrito todas as frases possíveis até então. Em concordância, ou não, as frases sempre eram iguais, não falavam de outra coisa se não da busca que até então nunca cessara. Em uma tarde, de tom diferente das outras, como se o céu estivesse mais azul, como se o vento estivesse mais fresco. Concluiu dentre vagões que interromperia ali sua busca. Pouco importava agora, o sentido do que até então não tinha sentido. A partir daquele momento, tudo mudava. Como havia lido há algum tempo, mude alguma coisa e tudo muda. Era dia, e um cometa atravessou o céu, azul. Interrompeu a busca.